Cartel teve próteses incineradas e danos de R$ 600 milhões

As investigações da Operação Ressonância, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) no Rio, apontam que a lista de compras no Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia) era feita de acordo com as prioridades do empresário Miguel Iskin, e não das necessidades do hospital.

A aquisição de material sem demanda provocou, segundo um delator do esquema, a incineração de dois contêineres de próteses com data de validade vencida. A estimativa, considerada conservadora, é de que os danos aos cofres públicos chegam a R$ 600 milhões.

A estrutura do cartel descrito pelo Ministério Público Federal foi detalhada pelas empresas Per Prima e Maquet do Brasil, em acordo de leniência com o Cade, e seus respectivos executivos, Leandro Machado e Norman Gunther, em acordo de colaboração homologada no STF (Supremo Tribunal Federal).

Machado afirma que Iskin tinha controle sobre os empenhos vindos de Brasília para o Into com o objetivo de aquisição de próteses. Ele também organizava as licitações, indicando quem seria o vencedor e as propostas de cobertura para dar a falsa impressão de disputa no certame.

“Os pedidos de empenhos dos grandes grupos joelho, quadril, coluna, trauma e ombro, eram feitos de acordo com a necessidade de venda da Oscar Iskin, e não de compra do Into, e que isso causava sobra de estoque”, disse Machado, relatando em seguida a incineração de próteses.

Os investigadores identificaram também a compra de 80 mesas cirúrgicas, sendo que não haveria local suficiente para essa quantidade de cirurgias no instituto.

Houve ainda casos em que a licença de importação de determinados equipamentos ortopédicos foi cassada, o produto não foi entregue, mas pago.

Em um projeto chamado de Suporte, o Into intermediava a compra de equipamentos de ortopedia para o SUS em outros estados do país. Em nove licitações no escopo desse projeto, o TCU não identificou a entrega de materiais no valor de R$ 80 milhões, de um custo total das compras de R$ 180 milhões. Segundo o TCU, existem fortes indícios de que os equipamentos nem sequer foram entregues.

A Per Prima listou ao Cade 70 licitações afetadas pelo cartel, com o envolvimento de 37 empresas. Com informações da Folhapress.

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