Caso Letícia: crime completa um mês e suspeito de esfaquear filha continua foragido

O homem suspeito de matar a filha de 13 anos a facadas em São Roque (SP) continua foragido após um mês do crime. Letícia Tanzi Lucas foi encontrada inconsciente e ferida na sala da chácara da família, no bairro Mailasque, no dia 3 de outubro.

O pai da menina, Horácio Nazareno Lucas, de 28 anos, estava preso desde julho deste ano, quando passou a cumprir pena por estuprar a cunhada em 2010. Ao ser solto, no dia 2 de outubro, ele foi para casa, matou a filha e fugiu.

Letícia havia denunciado o pai pelo mesmo crime logo após a prisão dele. Em seguida, o suspeito teria ido até a chácara para convencer a família a retirar a denúncia de estupro. A mãe da vítima, Tamires Tanzi, declarou que o suspeito pediu desculpas a Letícia.

Jovem foi enterrada em São Roque — Foto: Facebook/Reprodução

Entenda porque Horácio foi solto

Condenado há oito anos de reclusão por estuprar a cunhada em 2010, Horácio Nazareno Lucas, de 28 anos, cumpria pena há pouco mais de três meses quando recebeu o alvará de soltura para recorrer da condenação em liberdade.

A própria família da vítima contratou um advogado para pedir o benefício, que foi concedido a ele para reparar um “equívoco” do sistema judiciário.

O processo de estupro contra Horácio corre desde 2011. De acordo com informações do Tribunal de Justiça de São Paulo, ele respondeu em liberdade durante todo o tempo porque sempre cumpriu as medidas cautelares. “O réu não ostentava antecedente criminal, demonstrou ter ocupação lícita e tinha residência fixa, não existindo indício a demonstrar a necessidade de aplicação da medida de prisão cautelar do investigado”, explica o TJ.

Segundo o órgão, o benefício de responder em liberdade é baseado em jurisprudência de tribunais superiores, que entendem que a prisão antes da condenação em segunda instância é usada somente em casos em que há necessidade concreta de tirar o investigado do convívio em sociedade.

Ao final do processo, Horácio foi condenado, mas com possibilidade de recorrer da decisão em liberdade. No entanto, o oficial de Justiça não encontrou o réu para entregar a intimação no endereço informado. Horácio perdeu o prazo para recorrer e teve a prisão decretada. Ele foi localizado e preso em 8 de junho.

Dias depois, aliviada com a prisão do pai, Letícia contou para a família que era violentada por ele desde 2017, e que era ameaçada de morte para não contar sobre os abusos.

De acordo com a polícia, uma viatura foi acionada para atender a uma ocorrência de violência doméstica, porém, quando a equipe estava a caminho do bairro, foi surpreendida por um menino de 6 anos pedindo socorro, dizendo que o pai havia matado a irmã.

Letícia foi enterrada no dia 4 de outubro, no Cemitério Cambará, em São Roque. Desde então, o pai da menina e principal suspeito do crime permanece foragido. Os policiais vasculharam uma área de mata da cidade, possível local por onde o suspeito fugiu, mas ele não foi encontrado.

Suspeito de matar a filha a facadas é procurado na região de São Roque — Foto: Reprodução/Facebook - Priscila Mota/TV TEM

Relembre o caso

A mãe da garota contou que, na noite do crime, o pai invadiu a casa da família. A intenção dele, segundo a mulher, era convencer a filha a retirar a denúncia sobre abuso sexual que teria sofrido. Quando a garota negou, ele ficou agressivo.

A primeira vítima atacada foi Tamires. O suspeito teria a agarrado pelo pescoço e depois dado um soco no rosto dela. A dona de casa conseguiu fugir e correu até os vizinhos para pedir socorro e chamar a polícia, deixando a adolescente e o filho de 6 anos na casa.

Policiais procuraram por Horácio próximo da casa da família — Foto: Mayara Corrêa/TV TEM

Policiais procuraram por Horácio próximo da casa da família — Foto: Mayara Corrêa/TV TEM

Neste momento, o homem teria atacado Letícia. Antes disso, trancou o filho mais novo em um quarto. A criança ouviu a agressão contra a irmã.

O garoto conseguiu sair do quarto e foi para a rua, onde encontrou a viatura e disse aos policiais que a irmã tinha sido morta pelo pai. A jovem chegou a ser levada para a Santa Casa da cidade, mas não resistiu aos ferimentos.

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