Gleisi diz que é prematuro Ciro falar de 2022

Presidente do Partido dos Trabalhadores, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) considera prematura a movimentação de Ciro Gomes, candidato do PDT que ficou em terceiro lugar na corrida eleitoral. O ex-governador do Ceará tenta se firmar como liderança da oposição ao governo de Jair Bolsonaro e isolar o PT.

“É muito prematuro pensar em 2022. Precisamos agora de uma unidade para resistir ao desmonte dos direitos conquistados pelos trabalhadores. Resistir à reforma da Previdência, à criminalização dos movimentos sociais, à entrega do pré-sal, a essas fusões de ministérios que vão comprometer não só a máquina pública, mas as política públicas e até o próprio País no âmbito internacional. É um momento muito grave e exige muita responsabilidade”, afirmou a parlamentar ao HuffPost Brasil quando questionada sobre a postura de Ciro após o segundo turno.

Em entrevista à Folha de S. Paulo publicada nesta quarta-feira (31), o ministro da Integração Nacional no governo Lula disse que o ex-presidente o traiu na disputa eleitoral. Ciro criticou a atuação do PT para impedir o apoio do PSB à sua candidatura após o PDT perder a aliança com o centrão. Ele classificou como “insulto” o convite de Lula para assumir o papel de vice no lugar depois ocupado por Fernando Haddad (PT).

Presidente do PDT, Carlos Lupi, por sua vez, admitiu os planos do partido de disputar novamente o Palácio do Planalto. “A gente já está preparando o Ciro para 2022; ele vai começar a rodar o Brasil inteiro e continuar avançando seu projeto nacional desenvolvimentista”, afirmou em entrevista ao HuffPost.

Ciro é uma das lideranças na articulação de uma oposição de forças progressistas que isola o PT. Na Câmara dos Deputados, seu partido, o PDT, irá formar um bloco com PSB e PCdoB. Na disputa eleitoral, Manuela D’Ávila, do PCdoB, foi vice de Haddad.

Na avaliação de Hoffmann, a movimentação ainda é resquício da disputa nas urnas. “O pós-eleitoral sempre é um período de superar os traumas. Mas creio que têm muito mais coisas que nos unem, muito mais necessidade do País e do povo do que qualquer questão de disputa política ou eleitoral”, afirmou.

De acordo com a petista que atuará como deputada federal a partir de 2019, o bloco formado por PDT, PCdoB e PSB tem como objetivo principal a ocupação de espaços na Mesa Diretora e nas comissões da Câmara e não impede unidade nas votações. “Acho que a articulação lá tem um pouco esse propósito. Tenho conversado com os presidentes do PCdoB e do PSB e continuam à disposição de trabalharmos todos juntos por uma frente de resistência pela democracia e pelos direitos do povo”, afirmou.

Apesar de elogiar os 47 milhões de votos em Haddad, a parlamentar destacou a importância de Lula no comando da legenda. “O Lula é nossa grande liderança política. O que queremos no momento é que tenha um julgamento justo para sair de onde está, que não é o lugar dele”, afirmou.

Erros do PT na campanha
Questionada sobre o motivo da derrota nas urnas, a presidente do PT admitiu erros internos na campanha, mas atribuiu peso maior ao impedimento de Lula ser candidato e às informações falsas divulgadas contra o partido. “Claro que houve erros nossos, mas principalmente esse processo eleitoral foi marcado por vícios e fraudes desde o início”, disse.

Hoffmann destacou que houve uma “uma bateria de fake news, de mentiras fabricadas e disseminadas a milhões no submundo da internet, no WhatsApp com caixa dois” quando Haddad começou a crescer nas intenções de voto. Ela também criticou a ausência de debates no segundo turno, devido à decisão de Bolsonaro de não participar sob pretexto de se recuperar da facada sofrida no dia 6 de setembro.

“Teve um nível de violência exacerbado, as pessoas foram mortas, espancadas. Uma campanha muito difícil, muito dura e de ódio direcionado ao PT. Era um quadro muito inóspito”, lembra a senadora.

Questionada sobre quais seriam os erros internos, ela citou a demora em chegar até os eleitores nas redes sociais, considerado por ela o ponto forte na campanha do adversário. “São erros que a gente comete no decorrer de cada campanha. Às vezes um posicionamento num determinado momento que tinha de ser de um jeito, agilidade nas respostas. A questão da comunicação via rede estávamos muito atrasados, principalmente no WhatsApp. Não para fazer ilegal. Tudo isso são questões que vamos avaliar.”

Sobre o peso da formação de alianças para vencer as eleições, como o distanciamento com Ciro Gomes, por sua vez, Hoffmann não considera um erro do PT. “Tentamos uma aproximação com o PDT e não deu certo”, afirmou.

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