Lula quer repetir no Brasil o que Peron fez na Argentina, diz El País

[Lula quer repetir no Brasil o que Peron fez na Argentina, diz El País]

Mesmo preso, condenado a mais de 12 anos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Lula tenta repetir no Brasil, com a transferência de votos para o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, o que Juan Perón fez em 1973 na Argentina. A análise foi publicada hoje (14) no jornal El País, assinada pelos professores Flávio Gaitán, da Unila, e Fabio Santos, do Iesp e Uerj.

A publicação explica como se deu a “inspiração” do petista no caso da nação vizinha, após o líder ser impedido de participar das eleições de 1958 e o peronismo se aliar a Arturo Frondizi, da Unión Cívica Radical Intransigente. Já em 1973, após o fim da ditadura que havia se instalado em 1966, o fenômeno se deu “em sua plenitude”, apontam os especialistas, com a transferência de votos para Hector Cámpora-Vicente Solano Lima. Para as eleições convocadas para 11 de março daquele ano, após outro período turbulento, o candidato da coalizão denominada de Frejuli (Frente Justicialista de Libertação) uniu a Frente de Esquerda Popular, o Movimento de Integração e Desenvolvimento e os partidos Conservador Popular e Democrata Cristão.

“Na campanha, utilizando-se do lema ‘Cámpora no governo, Perón no poder’, o peronismo buscou deixar bem claro que Cámpora no governo era, na verdade, um estratagema para que Perón retornasse ao governo. Mesmo em um contexto de grande hostilidade de vastos setores conservadores, de partidos políticos, do poder judiciário, parte do exército e do ex-ditador Lanusse, o Frejuli ganhou em todo o país, com pouco menos de 50 % dos votos, resultado que levou o segundo colocado, Ricardo Balbin, a abrir mão de participar no segundo turno. Em 25 de maio de 1973 Cámpora tomou posse, mas convoca novas eleições. Em setembro de 1973, 62% dos argentinos puderam, finalmente, votar em quem achavam a melhor opção para conduzir o país. Juan Perón foi eleito presidente pela terceira vez”, descreve.

O artigo cita que, apesar da sequência de fatos desastrosos, como a morte de Perón e a assunção da esposa e vice, Isabel, ao poder, que culminaram no “desenlace de 1976”, o caso portenho é parâmetro para os episódios que permeiam a campanha brasileira neste ano. “Ao se pensar no caso argentino e sua transplantação para a experiência brasileira contemporânea, com o provável deslocamento de votos de Lula para o candidato do PT, Fernando Haddad, não é possível esperar que um triunfo da estratégia cancele os elementos mais permanentes de resistência a um governo de perfil mais popular. Em uma palavra, não modificará o quadro de casuísmo judicial, ameaças autoritárias de setores militares, nem convencerá a grande mídia de seu óbvio viés”, concluem os acadêmicos.

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