PM mata mulher após suposta tentativa de roubo no centro de SP

Uma policial militar de 23 anos matou com tiros uma mulher não identificada, que teria tentado assaltar a soldado usando uma faca, no cruzamento da avenida Rio Branco com a alameda Glete (região central), por volta das 18h45 de quarta-feira (19).

Um homem, que também participou da tentativa de assalto, fugiu no sentido do chamado fluxo da cracolândia, onde estão concentrados os usuários de drogas.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, da gestão Márcio França (PSB), a policial havia terminado seu dia de trabalho quando foi abordada pelo casal. “A PM se identificou e deu voz de prisão.” Como homem e a mulher “não deram ouvidos”, a PM “sacou a pistola calibre ponto 40 e atirou”.

Em 2017, o número de mortos pelas polícias paulistas bateu recorde, com 943 casos, dado mais alto desde 1992.

Por outro lado, levantamento da Folha mostrou que de cada dez ataques a policiais, em nove eles acabam feridos ou mortos -a maioria em roubos.

Os dados mostram ainda que em cerca de 23% dos crimes, além de atacar o policial, os bandidos ainda levam a arma dele. E há episódios em que o PM é morto com a própria pistola, aquela que carregava para se proteger -isso ocorreu em 4% dos casos.

Esses números são resultado de análise feita pela reportagem em 491 relatórios de PMs vítimas, documentos elaborados de 2006 a 2013 por equipes da Corregedoria da PM especializadas em investigar ataques desse tipo no estado.

Segundo os dados, desses 491 policiais com registro de violência, 218 foram mortos e 233 ficaram feridos -sendo ao menos 81 deles atingidos na cabeça por tiro ou paulada. No total, só 40 saíram ilesos, o equivalente a 8% do total.

Os documentos descrevem as circunstâncias em que os crimes se deram, as primeiras informações sobre o estado de saúde do policial militar e o destino do criminoso.

Parte dos relatórios da Corregedoria da PM analisados pela reportagem foi redigida pelo sargento Maurício dos Santos, 49. Ele se aposentou no ano passado, após 28 anos de corporação, sendo 26 deles no setor de PMs vítimas, e participou de centenas de apurações de policiais atacados -inclusive de um colega que trabalhava nessa mesma equipe.

Maurício afirma que os resultados do levantamento refletem aquilo que ele presenciou ao longo dos anos. Por isso, ele passou a defender o desarmamento de policiais nos horários de folga. Para ele, essa medida reduziria a quantidade de mortes especialmente nos roubos. Nesses casos, o bandido geralmente já chega com arma em punho, não dá chance de o policial reagir e atira assim que encontra o armamento.

“Se for pego com a arma, vai morrer. O crime não perdoa”, afirma Maurício. Nessas quase três décadas, ele diz não se lembrar de nenhum caso de alguém que tenha sido poupado pelos criminosos após ser identificado como PM.

O coronel Marcelino Fernandes, comandante da corregedoria, onde trabalha há 24 anos, conta se recordar de apenas dois casos de policiais poupados por criminosos. Isso, porém, há muitos anos.

O cenário se agravou, para ele, depois do crescimento do crime organizado e a glamorização disso na sociedade. “Eles [bandidos] crescem na organização criminosa. Hoje, não escondem nem os sinais [atribuídos a quem mata policiais]. Querem [tatuagens de] palhaços desenhados, carpas, para mostrar aquilo que são no crime: matador de policial.”

Além da mudança do perfil dos criminosos, o oficial aponta a legislação brasileira como agravante do problema ao permitir, por exemplo, saídas temporárias da prisão de detentos sem condições de voltar às ruas. “O sangue desses PMs não está somente nas mãos dos criminosos, mas também nas mãos de muitos congressistas”, afirma Marcelino. Com informações da Folhapress.

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