Rodoviários prometem rodar sem cobrar passagem em Salvador

Enquanto rodoviários e sindicato patronal estão em uma queda de braço por conta do reajuste da categoria, o Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT5) já determinou que, com início de greve, o percentual mínimo de ônibus seja mantido. A decisão foi divulgada na manhã desta terça-feira (22), logo após uma reunião entre representantes dos dois sindicatos na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), no Caminho das Árvores. Não houve acordo.

Na decisão, o desembargador Renato Mário Simões determina que os rodoviários mantenham 50% dos trabalhadores em atividade das 5h às 8h e das 17h às 20h, e 30% nos demais horários. Caso o sindicato descumpra a lei, será multado em R$ 10 mil para cada dia de paralisação. Motoristas e cobradores também estão proibidos de impedir, dificultar ou atrasar o cumprimento dos horários das linhas. O desembargador afirma também que caberá ao sindicato patronal fazer a prova do eventual descumprimento da ordem judicial, e comunicar o fato ao juízo.

O diretor do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Hélio Ferreira, disse que se houver decisão judicial, os ônibus deverão funcionar sem cobradores.

“Se a deliberação for pela greve, temos que ter responsabilidade de fazer greve acontecer. É o compromisso que faço aqui é de rodar catraca livre”, afirmou Hélio, reiterando que a greve começa meia noite e um minuto.

Caso a decisão da Justiça não seja cumprida, o sindicato dos donos de empresas de ônibus serão multados em R$ 10 mil por dia. (Veja na íntegra a decisão no final da matéria).

Os rodoviários pedem um aumento de 6%, 10% do tíquete-alimentação e a continuação do pagamento de horas extras. Embora os representantes da Superintendência Regional do Trabalho (SRT), que mediaram a negociação, tivessem sugerido o reajuste de 5%, os empresários continuaram alegando que não possuem condições de firmar o acordo.

Catacra livre
A medida, no entanto, pode ser um pouco diferente, ou seja, sem o uso das catracas, com os passageiros acessando os coletivos pela porta de saída, para evitar pedidos de ressarcimento por parte dos patrões.

A decisão de não cobrar pelas passagens divide opiniões entre os próprios rodoviários. “Catraca livre não concordamos porque parece ensaio pra demitir os cobradores. Tem que parar geral”, defendeu um cobrador, sem se identificar.

Uma usuária do transporte coletivo também criticou: “Tô com medo de entrar bandido no ônibus. Entra bandido de qualquer jeito. Tô preocupada com meus filhos. Vai ter é confusão”, disse uma dona de casa de 55 anos, também sem dizer o nome, pouco otimista com a medida.

Um motorista de ônibus pensa diferente: “Sou a favor porque a gente chama a população pra nos apoiar. Faço questão de rodar com catraca livre”, avaliou ele, que faz parte da maioria que defende a conduta.

“É bom que vai sobrar crédito no Salvador Card pra eu poder ir pra outros lugares”, brincou Murilo Santos, 29, promotor de vendas numa multinacional sobre o acesso gratuito aos coletivos.

“Fomos até o fundo do poço pra tentar negociar. Infelizmente não teve acordo. Não queremos deixar a população na mão”, declarou Adelnilson dos Santos, 48, rodoviário há 25 anos e também entusiasta da medida sem precedentes em Salvador. Ele defende que a segurança dos rodoviários e passageiros no período de greve precisa ser reforçada.

A categoria divulgou uma animação falando sobre a campanha salarial 2018. Assista.

Plano de contingência
Caso os rodoviários decidam entrar em greve, impedindo a saída de ônibus das garagens das empresas de ônibus, o plano de contingência da Prefeitura vai colocar em circulação cerca de 600 vans, micro-ônibus e veículos de cidades da Região Metropolitana de Salvador (RMS) para que a maior parte da população não seja atingida pela paralisação.

Em entrevista ao Bahia Meio Dia, da TV Bahia, o prefeito ACM Neto criticou a postura do sindicato patronal.

“Já damos vários subsídios para as empresas de ônibus em função da crise do sistema de transporte. Hoje, as empresas estão inadimplentes com a Prefeitura e não estão cumprindo as questões contratuais”, afirmou.

Em outro momento da entrevista, Neto destacou ainda que acha que os patrões querem a greve como forma de pressionar.  Segundo o prefeito, os donos das empresas de ônibus sugeriram a ele um aumento no valor da passagem, bem como uma redução de 70 linhas de ônibus, o que significa a retirada de 200 veículos de circulação. As medidas foram negadas pelo gestor.

“Essas pautas eu não aceito discutir porque elas afetam o dia a dia das pessoas. O aumento da tarifa iria onerar o bolso do cidadão nesse momento, o que a gente entende que é indevido. E a outra, é porque a supressão de 70 linhas de ônibus significaria um prejuízo no serviço, no acesso do cidadão de Salvador ao transporte público”, finalizou o prefeito.

 

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