Em Angola, população ignora estado de emergência por coronavírus

No dilema entre ficar em casa, ou conseguir comida, a população do continente africano compartilha o mesmo grito contra o estado de emergência, contra o confinamento social e o toque de recolher, medidas adotadas pela maioria dos países para conter a propagação do coronavírus.

Garcia Landu, um motorista de mototáxi em Luanda, capital de Angola, não vê outra escolha a não ser ignorar a ordem das autoridades.

“Temos responsabilidades com nossas famílias, com nossos filhos. Temos que sair para trazer algo para comer em casa”, diz este pai de família.

“Melhor morrer desta doença, ou de um tiro, do que de fome”, insiste. “Nunca aceitaria morrer de fome. Impossível…”, completa ele.

Nos mercados, no pequeno comércio, ou nos pontos de abastecimento de água de Luanda: uma multidão continua nas ruas, assim como Garcia Landu.

Embora não se imponha um confinamento rígido, como na África do Sul, a ordem do presidente João Lourenço limita consideravelmente deslocamentos, reuniões e atividades públicas.

“A situação exige (…) sacrifícios de todos os cidadãos. Os direitos e a vida profissional e social terão de ser reduzidos”, declarou o chefe de Estado em seu discurso à nação na semana passaaa.

Não a ponto, porém, de ficar sem água, defende Quechinha Paulina, uma viúva que vive, com dificuldade, de ajudas sociais no bairro de Cazenga. Não há uma única fonte de água próxima.

Para ela, buscar água, dinheiro e, sobretudo, encontrar algo para comer são razões mais do que legítimas para sair de casa – com ou sem estado de emergência.

Na última sexta-feira, o ministro do Interior, Eugenio Laborinho, informou que 1.209 pessoas foram detidas: mais de mil, por entrarem no país apesar do fechamento das fronteiras, e 189, por violarem o estado de emergência.

Segundo o último balanço oficial, dez casos de COVID-19 foram registrados em Angola, dois deles letais.

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