‘Meu pai era meu grande ídolo’, diz filha de empresário que foi a 1ª vítima do coronavírus na BA

Até esta terça-feira (31), o estado da Bahia contabilizou duas mortes por coronavírus. As vítimas são os executivos Leonildo Sassi, de 74 anos, e Marcos Souza, de 64.

Segundo os familiares dos empresários, os dois idosos tinham histórico de doenças pré-existentes. Leonardo Sassi estava internado no Hospital da Bahia [unidade particular] e morreu na noite de sábado (28) e Marcos Souza, que estava internado no Hospital Aliança, unidade particular da capital baiana, teve a morte confirmada na segunda-feira (30).Veja abaixo quem eram alguns dos mortos pela doença na Bahia.

Leonildo Sassi, de 74 anos, foi o primeiro paciente com coronavírus que morreu na Bahia — Foto: Arquivo Pessoal

Leonildo Sassi, de 74 anos, foi o primeiro paciente com coronavírus que morreu na Bahia — Foto: Arquivo Pessoal

Com formação acadêmica em Administração e Economia, Leonildo Sassi, de 74 anos, nascido em São Paulo, morava com a esposa no bairro da Pituba, em Salvador. O idoso viajou para São Paulo, onde ia participar de um congresso à trabalho.

“Meu pai era meu grande ídolo, uma grande pessoa, um grande homem. Ele era um homem de família, que sempre trabalhou bastante, mas que era muito companheiro. A inspiração para todas as decisões que eu tive durante a minha vida. Uma pessoa incrível e de uma luz extraordinária”, contou Beta Sassi, filha do idoso.

De acordo com a filha de Leonildo, que mora em São Paulo, o idoso trabalhou durante 30 anos na empresa Pão de Açúcar, onde entrou como escriturário e saiu como gerente regional. Após a saída do grupo, Sassi abriu duas empresas, uma de representação de alimentos e outra de distribuição, com trabalho em todo o Nordeste.

“Ele e minha mãe moravam em Salvador. Meu irmão, que é um ano mais novo, também mora na cidade, mas em outro apartamento. Eles vieram para cá [São Paulo] porque ele [Leonildo Sassi] teria um congresso na cidade de Itu, de três dias. Quando ele voltou, a gente sentiu que ele não estava muito bem”, contou Beta Sassi.

Segundo ela, após o congresso, o pai dela ficou na casa onde ela mora por três dias. Ele apresentava tosse, cansaço, espirro, dor na garganta e febre. Leonildo voltou para a Bahia porque teria uma reunião de negócios na cidade de Feira de Santana.

“Ele já estava bem ruim, viajou de máscara. E quando desembarcou já foi direto para o hospital. Meu irmão pegou ele lá [no aeroporto] e levou para o hospital, porque ele quase que não aguentava andar”, disse.

De acordo com o Hospital da Bahia, unidade particular onde Leonildo foi atendido, ele era hipertenso, ex-fumante, dislipidêmico (com índice alto de gordura no sangue) e com sinais radiológicos de enfisema pulmonar. Ele deu entrada na emergência da unidade de saúde no dia 17 de março, já em estado grave, com insuficiência respiratória severa, sendo imediatamente entubado.

Ele passou 12 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A filha de Leonildo também apresentou os sintomas da doença e testou positivo para coronavírus. Ela ficou internada no Hospital Santa Paula, no bairro de Moema, em São Paulo, e agora está em isolamento social.

“Uma coisa que eu acho muito importante que devemos falar é que eu tenho 43 anos e era a segunda pessoa mais velha do quarto onde fiquei. Todos os outros pacientes eram bem mais novos, tinha gente de 38, 28, pessoas com pneumonia. As pessoas precisam se cuidar. A UTI é um lugar que eu não desejo para ninguém”, disse Beta.

O idoso foi cremado no Cemitério do Campo Santo, no bairro da Federação, em Salvador.

Bahia registra segunda morte de paciente com coronavírus, diz secretário de Saúde — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A segunda morte confirmada na Bahia foi do empresário Marcos José Ramos Souza, de 64 anos, que estava internado na Unidade de Tarapia Intensiva (UTI) do Hospital Aliança desde o dia 17 de março.

O idoso, que era engenheiro civil, era presidente da Engenharia Brasileira, Indústria e Saneamento S/A (Ebisa). Ele foi cremado na tarde desta terça-feira (31), no Cemitério do Campo Santo, no bairro da Federação, em Salvador.

Marcos Souza era diabético e hipertenso. Em nota divulgada nesta terça, o Conselho Regional de Engenharia da Bahia (CREA-BA) lamentou profundamente a morte do engenheiro civil.

Segundo o CREA-BA, Marcos Souza se formou em Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, registrando-se no Conselho no ano de 1979.

O Sindicato dos Engenheiros da Bahia, também em nota, expressou “profundo pesar” pela morte de Marcos e se solidarizou com a família e amigos dele.

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