Receita identifica acesso irregular a dados fiscais de Bolsonaro e familiares

Receita Federal identificou que dois servidores do órgão acessaram de maneira irregular dados fiscais do presidente Jair Bolsonaro e de integrantes de sua família. A Receita não informou quais outros integrantes da família tiveram seus dados acessados.

Em nota, informou que abriu sindicância para apurar as circunstâncias e concluiu que não havia motivação legal para o acesso. O órgão notificou a Polícia Federal e abriu procedimento para apurar a “responsabilidade funcional” dos envolvidos.

A instituição fez operação em dois escritórios da Receita Federal para investigar o acesso irregular e, segundo o Estadão/Broadcast apurou, foram feitas operações em Vitória (ES) e em Campinas (SP). Foram apreendidos computadores e dois servidores foram ouvidos – um deles é Odilon Ayub Alves, que atua em Vitória.

Os servidores – que não são auditores fiscais – não tinham autorização para acessar os dados e, como o sistema é monitorado, acendeu-se um alerta. A investigação concluiu que os servidores não tinham motivação para buscar os dados, que não embasavam nenhum procedimento em curso. Por isso, o órgão abriu sindicância e avisou a PF.

Os dois servidores respondem a processo administrativo. Eles não foram afastados de suas funções, mas foi retirado o acesso que tinham ao sistema.

A deputada federal Norma Ayub, irmã do servidor da Receita Odilon Ayub Alves, que acessou informações pessoais do presidente Jair Bolsonaro pelo sistema da Receita, considerou o “ato como uma brincadeira”, um momento de “infantilidade”. Ela alegou que o irmão é “eleitor doente” de Bolsonaro e não teria intenção de prejudicá-lo.

Na manhã desta quinta-feira, agentes da Polícia Federal estiveram na casa do servidor, em Itapemirim, e o conduziram para prestar esclarecimentos na sede da Delegacia de Polícia Federal em Cachoeiro. A família informou que o depoimento durou pouco mais de 20 minutos.

‘Violação de dados é gravíssimo’, afirma Maia

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a violação dos dados fiscais do presidente Jair Bolsonaro e seus familiares é um ato “gravíssimo”. Ao Estado, Maia ressaltou que a Receita Federal deve abrir procedimento imediato para afastar do serviço público quem acessou as informações ilegalmente. “É gravíssimo. A Receita deveria abrir logo procedimento para afastá-los do serviço público”, disse à reportagem.

Já o líder do PSL na Câmara, delegado Waldir (GO), afirmou que o acesso irregular a dados fiscais do presidente e familiares mostra que há uma tentativa de se realizar um “terceiro turno” eleitoral ao tentar ligar o mandatário a casos de corrupção.

“Isso mostra que as eleições não acabaram e há algumas pessoas que estão em busca de um terceiro turno. Bolsonaro vai ser alvo o tempo todo. Ao trazer o ministro Sérgio Moro para o Ministério da Justiça ele realmente deu um tiro de mestre, acertou o alvo, mas ao mesmo tempo trouxe a raiva da oposição e de outros setores”, disse ao Estadão/Broadcast.

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