Em entrevista no Microfone Aberto, médico oncologista leva esperança para combate ao câncer de próstata, pulmão e ovário
A pauta da entrevista desta segunda-feira (30) no programa Microfone Aberto, com o apresentador André Spínola, na Massa FM, trouxe uma excelente notícia para muitos que sofrem com câncer de próstata, pulmão e ovário. O médico oncologista Vinícius Carreira falou sobre os testes iniciais de uma vacina para doença que assola milhares de pessoas no mundo todo.
Segundo o médico oncologista foi vinculado, recentemente, uma notícia de um novo estudo que está avaliando uma vacina para essa doença. “Depois da covid acho que teve bastante avanço no entendimento de como fazer vacinas, então está sendo estudada uma vacina contra o câncer de pulmão, próstata e ovário. Isso é importante porque o câncer de próstata é o mais comum no Brasil, é o mais comum no mundo e o câncer de pulmão é o que mais mata. Então a gente vai atuar numa doença que é a mais comum e em outra que é uma das mais graves”, disse Carreira.
Ainda na avaliação do médico, “os tratamentos habituais que a gente está acostumada a usar como quimioterapia, radioterapia, muitas vezes deixa a desejar tanto em efeitos colaterais quanto em não conseguir curar porque o tumor ele acaba evadindo do tratamento e a gente sabe que o nosso sistema imunológico habitualmente combate diversos tumores ainda antes de aparecer. Esses tumores costumam desligar o nosso sistema imunológico, nos enganar pra consiga florescer. Essa vacina ela tem a pretensão de tentar reestimular o nosso sistema imunológico pra identificar a célula cancerígena e assim conseguir combater”.
Carreira também explicou, durante a entrevista, que o estudo ainda é preliminar e em sua primeira fase, mas é a primeira vez que vai ser testado em humanos. O objetivo desse pequeno estudo, que vai ser testado em pouco mais de trinta pacientes, é observar se é bem tolerado nos humanos e se não tem nenhum efeito colateral significativo para posteriormente poder passar para fases adicionais.
Sobre os locais onde os estudos já começaram, o oncologista esclareceu está sendo conduzido, inicialmente, no Reino Unido. “Na verdade, começou o recrutamento em novembro do ano passado. Não está disponível no Brasil”, afirmou o especialista, completando que não é uma vacina de acesso fácil e ressaltar que o foco inicial não será de prevenção ao câncer. “A gente está acostumado a vacinas antes de ter uma doença infecciosa e aí nos previne de ter ou de pelo menos de ter uma forma grave. Essa vacina é uma vacina diferente. É uma vacina para quem já tem o câncer, especificamente para quem já tem numa fase avançada com a presença de metástase e no momento que a pessoa já tomou um tratamento como a quimioterapia e não fez efeito. Então é uma coisa pra gente vislumbrar para o futuro, mas não é nada palpável para o momento agora e na prática pra um paciente, por exemplo, que esteja com câncer ou alguém que queira prevenir de ter um câncer”, pontuou.
Vinícius Carreira também deixou claro que do ponto de vista para ser uma droga liberada para poder ser utilizada, dura cerca de cinco anos até chegar no mercado. “Muitas vezes a gente consegue usar antes participando de estudos clínicos. Então eu, por exemplo, recebi vacina da covid por estudos clínicos em hospitais. Pode ser que em dois anos, três anos essa vacina esteja disponível para que, se ela for positiva nesse estudo de fase um, na próxima fase disso tudo esteja disponível no Brasil como estudo, mas pra uso mais amplo seria de cinco anos, na melhor das hipóteses”, analisou.
Foto: Divlgação


