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Na contramão da especulação imobiliária: CMS tenta barrar construção de edifícios na capital baiana

Os projetos de lei do presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz, e do vereador Hélio Ferreira (PCdoB), que visam à desapropriação de imóveis no Rio Vermelho e na Graça, foram apresentados no dia 27 de novembro. A intenção é clara: tentar combater a especulação imobiliária na capital baiana e impedir a verticalização na orla.

Na praia do Buracão, a construtora MRM é a responsável pelo projeto que revoltou moradores e ambientalistas. A construção de três torres de 18 andares iria retirar dos turistas e frequentadores uma das coisas essenciais para quem vai ao local: o sol. A MRM, inclusive, é a mesma empresa responsável pelo Edifício Mansão Wildberger, localizado no Corredor da Vitória, e por muitos outros, como o Federico Fellini e Leonor Calmon, também no mesmo local.

Se aprovado, o PL de Muniz impediria o prosseguimento do projeto das torres. Isso porque propõe a desapropriação de três imóveis para a utilização pública, com a construção de um estacionamento público para melhorar o acesso à praia e uma praça de frente para o mar.

Autor do projeto que quer desapropriar o imóvel da família Cunha Guedes, utilizado há mais de quarenta anos para a Feira da Fraternidade na Graça, o vereador Hélio Ferreira afirmou ao Metro1 que a data de apresentação dos projetos foi apenas uma coincidência. Apesar disso, ele ressaltou sua preocupação com os interesses empresariais e de verticalização em Salvador. “É um grande perigo para Salvador. A gente vê medidas que só podem futuramente piorar a situação [do clima]. Como vamos ser o futuro da cidade de Salvador? Vai ser conhecida como a mais quente e sombreada?”, criticou.

Segundo o vereador, o clima político na Câmara de Vereadores ainda é muito mais favorável a projetos que dão preferência aos interesses econômicos em vez dos ambientais e sociais. “Do ponto de vista político, não consideram bom para a cidade. Vereadores com esse pensamento de proteção são a minoria. Os interesses do Executivo não são debatidos de forma mais profunda”.

Foto: CMS/Reginaldo Ipê
Por: Metro1

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